terça-feira, 20 de outubro de 2015

Sow Store lança camiseta Parental Advisory




Selo era aplicado em gravações de áudio e vídeo com conteúdo ofensivo


Criado em 1985 pela Recording Industry Association of America (RIAA), o selo Parental Advisory (Aviso aos Pais) era afixado em gravações de áudio e vídeo com linguagem e/ou conteúdo considerado ofensivo nos Estados Unidos, como sexo, palavrões, violência, consumo de drogas etc.

Em 1984, a canção sexualmente nonsense do cantor Prince caiu nos ouvidos da pequena Karenna Gore, filha do então senador Al Gore e da engajada Mary "Tipper" Gore, que já se organizava em atitudes de cunho social com outras mulheres de peso em Washington. A partir do constrangimento de sua filha ao ouvir a letra do astro pop, Tipper Gore fundaria o polêmico Parents Music Resource Center, grupo de mulheres da alta sociedade que teria como principal missão moralizar a música pop.

O grupo de mulheres cristãs rapidamente passou a exercer pressão sobre gravadoras, lojas de disco e emissoras de TV, visando inibir conteúdos que pudessem, segundo a própria Tipper Gore, "infectar a juventude do mundo". Ao notar que evitar tais comercializações implicaria em choque com alguns dos artistas mais bem-sucedidos do momento, Tipper Gore deu um passo atrás e reforçou o pedido feito pela Associação de Pais e Mestres dos EUA no ano anterior: a criação de um selo que ajudasse lojistas e pais a identificarem o conteúdo mundano nas prateleiras da vida. A investida gerou mal estar na classe artística. Dee Snider, vocalista do Twisted Sisters, chegou a comparecer ao Senado, onde realizou um discurso histórico em defesa do heavy metal. John Denver e Frank Zappa tomariam atitude semelhante em episódio que depois seria retratado no filme "Warning: Parental Advisory", de 2002. Tudo em vão. A briga parecia mesmo uma arena que envolveria somente executivos e forças políticas, e um acordo não tardaria a acontecer.

Ignorado pelas gravadoras em 1984, o pedido da Associação de Pais e Mestres passou a parecer boa ideia quando foi endossado pelo grupo que incluía esposas de senadores, mulheres de ministros e damas do empresariado norte-americano. Tratativas entre as partes dariam origem ao selo Parental Guidance, que depois evoluiria para o Parental Advisory com a mensagem que conhecemos atualmente, aplicada pela primeira vez sobre o disco de estreia do grupo Danzig, alardeado pelos moralistas por conta da palavra "whore" (prostituição) na faixa "Possession". As aplicações cada vez mais sem sentido do selo viriam a banalizar o seu uso ainda na primeira metade da década de 90. No fundo, tudo era bem mais político e econômico do que moral.

Quando as aparições do Parental Advisory se tornaram frequentes, a então rede Wal-Mart começou a tirar de suas prateleiras qualquer lançamento que trouxesse o selo no encarte, de olho em uma possível boa popularidade que justificasse o seu posicionamento de "varejo da família". As gravadoras, por sua vez, procuraram manter a cordialidade mesmo diante das represálias, uma vez que o movimento moralista era encabeçado por nomes influentes da high society ianque. O posicionamento das grandes gravadoras não poderia ter sido mais correto, já que a imposição do selo, em longo prazo, em nada afetaria o fluxo de vendas dos seus grandes artistas. Muito pelo contrário: com o tempo, possuir um Parental Advisory no encarte passou a ser tão sexy que grupos ligados a cena alternativa passaram a adquirir o alerta de forma proposital, transformando a preocupação das famílias católicas em um símbolo da rebeldia noventista presente em discos de bandas como Nirvana, Blink 182, Greenday e Soundgarden.

A adesivação de grandes nomes da música logo reverteria o Parental Advisory em um selo cool, amplamente utilizado pela indústria fonográfica para identificar os seus artistas mais despojados e reaproveitado pela indústria da moda como forma de contrariar os paradigmas mais conservadores. 

Em 2002, o colunista da MTV Jon Wiederhorn escreveu que o selo na verdade foi responsável por atrair os jovens mais desaforados, e que isso explicava o grande sucesso dos álbuns adesivados pelo PMRC. Estudiosos de cultura pop também questionariam por muito tempo a validade de um selo com intenções de censura em um tempo de indefinição midiática, onde a juventude possuía multi-meios para consumir música e era praticamente apaixonada pela sexualidade da MTV, que antecederia ainda uma era de abertura do conteúdo livre com a internet popular cada vez mais presente. 

Neste ano, o selo completa 30 anos. Por essa razão, a Sow Store lançou a Camiseta Parental Advisory, disponível em modelo 100% algodão nas cores: branco, preto, cinza chumbo, amarelo, vermelho, azul marinho e verde. Confira aqui!



Na lista negra da high society

Horrorizada pela letra de "Darling Nikki", Tipper Gore reuniu-se com as outras "esposas de Washington" e montou, ainda em 1984, uma lista de 15 sucessos pops que não poderiam conviver com as crianças da América. Dividida por Nome do Artista, Título da Canção e Conteúdo das Letras, a lista foi publicada em 1985 e serviu como base para as principais ações do Parents Music Resource Center. 

1 - Prince - "Darling Nikki" - Sexo / masturbação
2 - Sheena Easton - "Sugar Walls" - Sexo
3 - Judas Priest - "Eat Me Alive" - Sexo
4 - Vanity - "Strap on Robbie Baby" - Sexo
5 - Mötley Crüe - "Bastard" - Violência
6 - AC/DC - "Let Me Put My Love into You" - Sexo
7 - Twisted Sister - "We're Not Gonna Take It" - Violência
8 - Madonna - "Dress You Up" - Sexo
9 - W.A.S.P. - "Animal (Fuck Like a Beast)" - Sexo
10 - Def Leppard - "High 'n Dry" - Consumo de drogas e álcool
11 - Mercyful Fate - "Into the Coven" - Ocultismo
12 - Black Sabbath - "Trashed" - Consumo de drogas e álcool
13 - Mary Jane Girls - "In My House" - Sexo
14 - Venom - "Possessed" - Ocultismo
15 - Cyndi Lauper - "She Bop" - Sexo / masturbação


Fonte: www.newyeahmusica.com